Principais temas e desafios para as eleições de 2026
- Denilson Miatto
- 5 de abr.
- 3 min de leitura
O AuroraPE recebeu neste sábado, o ex-deputado estadual, ex-deputado federal e atual pré-candidato ao Senado pela federação Rede/PSOL, Paulo Rubem Santiago, para uma conversa sobre os principais desafios e disputas que devem marcar as eleições de 2026 no Brasil. Abordando desde o cenário político nacional até questões estruturais como educação, saúde, segurança pública e mobilidade urbana.

Arte: Denilson Miatto / AuroraPE
O professor Paulo Rubem analisou as expectativas para o pleito deste ano, destacando a polarização entre campos políticos e a necessidade de qualificar o debate público. Segundo ele, tanto setores da esquerda quanto da direita já se movimentam estrategicamente, incorporando novas ferramentas de comunicação, com destaque para o uso crescente da inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O pré-candidato alertou para os riscos da desinformação e defendeu maior regulação e responsabilidade no uso dessas tecnologias.
No campo da educação, aprofundou a discussão sobre a realidade enfrentada por professores e técnicos administrativos, especialmente nas instituições públicas. Destacando a precarização das condições de trabalho, a necessidade de valorização profissional e o investimento estrutural em escolas e universidades como pilares para o desenvolvimento social de um país.
A pauta da saúde também ganhou espaço, com foco no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), o pré-candidato defendeu a ampliação do financiamento e melhorias na gestão do sistema, além de abordar a situação do GEAP, plano de saúde voltado para servidores públicos.
"Nós temos que recolocar o SUS do seu caminho natural, aprovado na Constituição de 88. Nós temos que tirar a saúde coletiva de toda e qualquer restrição. Em um país gigantesco, de mais de 12 trilhões de habitantes, o nosso público vai pagar R$ 16 milhões. Não é um país pobre. Nós temos que garantir que a saúde tenha plenitude e acesso aos recursos fundamentais. A gente não pode investir R$ 10 milhões em saúde para fazer caixa, para pagar despesa financeira para banco, fundo financeiro, fundos de investimentos, seguradoras de saúde. Não pode. Isso é um crime contra a saúde coletiva. Tem provas suficientes para mostrar que esse caminho está errado. Tem elementos suficientes para mostrar quais são os caminhos corretos. Para o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde, pós-graduação, mostrar quais são os caminhos. Esse é um compromisso."
Na sequência, o debate avançou para temas como segurança pública e mobilidade urbana, áreas que, segundo ele, precisam ser pensadas de forma integrada. Paulo Rubem destacou a importância de políticas públicas que enfrentem a violência, especialmente contra as mulheres, e que promovam cidades mais seguras e acessíveis.
"Eu fiz há pouco uma matéria no meu Instagram chamando a atenção das crianças e jovens, dos jovens adultos, dos adultos idosos, porque são os homens que estão matando as mulheres. Então é preciso um amplo processo de informação e comunicação do ponto de vista preventivo. É preciso que as escolas e a comunicação institucional do governo atinjam na veia, como se diz, a gênese da formação desse comportamento feminicida, sobretudo para que se crie uma cultura de que um relacionamento não é uma propriedade. Todos os Estados têm Secretaria da Mulher, muitos municípios grandes têm Secretaria da Mulher. Quando você vai ver qual é o recurso colocado à disposição dessas secretarias, é mínimo, há locais que o recurso não chega a 2% do orçamento total. Como é que eu vou financiar delegacias da mulher? De profissionalização para aqueles que dependem economicamente dos maridos, dos companheiros, das pessoas com as quais elas têm relacionamento, se eu não tenho recurso no orçamento? Então, não adianta fazer discurso."
Ao final da entrevista, o pré-candidato deixou uma mensagem de conscientização ao eleitorado, ressaltando a importância do voto informado e crítico. Para ele, as eleições de 2026 serão decisivas para os rumos do país, exigindo da população maior atenção às propostas e ao compromisso dos candidatos com políticas públicas efetivas.
"Então participar de um processo político, exercer vida pública, é um compromisso com o aspecto público dos resultados da política. Então eu estou me colocando na Federação Rede/Psol como pré-candidato ao Senado, digo logo claro, não preciso de mandato parlamentar para sobreviver...Nós saímos há pouco de um governo presidencialista em que o presidente era contra a vacina. Um país que tem uma das melhores experiências de imunização de campanha de vacinação do mundo. Quantas pessoas não morreram? Quantas pessoas disseram não, que a vacina faz mal, que a vacina gera doença, que a vacina vai fazer isso, vai fazer aquilo, por conta de um criminoso que negou a ciência em benefício das suas causas e dos seus interesses, fazendo propaganda de laboratório de remédio. Então, a gente precisa ter fé, a gente precisa ter persistência, perseverança, desde os antepassados da história da humanidade. Homens e mulheres sempre dedicaram parte da sua existência a usar o corpo, usar o conhecimento, usar a ciência e a tecnologia para produzir o bem comum."










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