Casas legislativas do Recife e de Pernambuco iniciam trabalhos de 2026
- Denilson Miatto
- 4 de fev.
- 3 min de leitura

Foto: João Carlos Mazella / AuroraPE
A abertura oficial dos trabalhos legislativos de 2026 na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) foi marcada por um clima de tensão e expectativa quanto aos rumos do Executivo estadual. Parlamentares de diferentes bancadas retomaram as atividades em meio a debates sobre prioridades do governo e o cenário político que começa a se desenhar com vistas às eleições de 2026.
A sessão contou com a presença da governadora Raquel Lyra (PSD), que apresentou um discurso voltado à defesa de sua gestão, destacando ações em áreas como segurança pública, programas sociais e investimentos estruturais. Ainda assim, a recepção foi marcada por reações divididas no plenário, com público da oposição cobrando explicações sobre decisões administrativas recentes e episódios que vêm ganhando repercussão midiática.

Foto: João Carlos Mazella / AuroraPE
Reação do governo a decisão do STF
Entre os assuntos que mais repercutiram durante a semana, está a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a reversão da investigação realizada pelo MPPE, a três secretárias da gestão João Campos , e a federalização do caso denúncias contra o secretário de articulação e politica do Recife e seu irmão, que iniciada pela Polícia Civil de Pernambuco.
Durante a coletiva de imprensa na Alepe, a governadora Raquel Lyra afirmou que sua gestão respeita as instituições e o Estado Democrático de Direito, reforçou que o governo seguirá todas as determinações judiciais.
"Eu penso que a questão está sendo tratada na justiça, o ministério publico também está envolvido o Estado vai se manifestar nos autos pela sua procuradoria. E é importante sempre ter em mente, no que diz respeito a essa questão, que pra quem precisa prestar esclarecimentos que se preste. No caso falando das nossas polícias, que elas estejam sempre prontas pra investigar qualquer indício que exista. Então, o que trago aqui é uma mensagem e uma fala de muita confiança no trabalho das instituições de justiça, de polícia e do nosso estado." - Raquel Lyra

Foto: João Carlos Mazella / AuroraPE
Impeachmet de João Campos
Já os trabalhos legislativos de 2026 na Câmara Municipal do Recife ocorreu em um ambiente marcado por disputas políticas e atenção redobrada ao rito institucional. Logo na primeira sessão do ano, os vereadores se debruçaram sobre a votação do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB), tema que dominou os debates no plenário e mobilizou tanto a base governista quanto a oposição.

Foto: João Carlos Mazella / AuroraPE
O debate evidenciou a divisão entre os parlamentares. De um lado, vereadores oposicionistas defenderam que a análise da denúncia representa o exercício legítimo da função fiscalizadora do Legislativo. Do outro, aliados do Executivo municipal afirmaram que o pedido carece de fundamentos jurídicos consistentes e alertaram para o risco de uso político do instrumento em um contexto pré-eleitoral.
Discussões sobre legalidade e condução do processo
"O pedido de impeachment, feito no dia 06 de janeiro, completamente vazio, apenas para tentar desgastar mais do prefeito. Essa foi a questão. O prefeito nomeou um candidato do PCD que estava laudado para isso, enfim, uma discussão em relação a se ele merecia ou não ter sido requalificado como PCD, esse é o ponto, o prefeito não tem nenhuma gerência sobre isso, sobre preferir quem ele nomeou que ele deixa nomear." - Samuel Salazar/MDB
A oposição, por sua vez, sustentou que a Câmara não pode se furtar a analisar denúncias formalmente apresentadas, mesmo diante de controvérsias jurídicas.

Foto: João Carlos Mazella / AuroraPE
"O pedido de impeachment foi a primeira medida a ser tomada diante do que aconteceu. Repetindo, foi praticado um crime de responsabilidade que tem que ser investigado pelo Ministério Público, e foi praticado uma infração administrativa que tem que ser investigada por essa casa. O próximo passo agora é a CPI." - Eduardo Moura/Novo
Ao final da sessão, a votação ficou com 9 votos a favor e 25 contra o impeachment, evidenciando que o pedido extrapola o mérito do caso envolvendo o concurso. O desfecho desse processo tende talvez a influenciar o ambiente político do Recife ao longo de 2026, ano que antecede as eleições.
Com a retomada das atividades legislativas, a expectativa se concentra nos próximos passos do Parlamento municipal e na capacidade da Casa de conduzir o debate com base na legalidade, na fiscalização do Executivo e na preservação da estabilidade institucional da cidade.

Foto: Denilson Miatto/ AuroraPE










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