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Campanha verde candidato Renato Fonseca traz santinhos ecológicos para as eleições de 2026

Denilson Miatto
21 de ago.
6 min de leitura

Foto: João Carlos Mazella/ AgênciaJCMazella


Vocês já pararam para pensar em quanto de lixo a gente produz durante uma eleição, bastante, não é mesmo? Então nos fomos ate o Parque 13 de Maio no centro do Recife, para cobrir uma iniciativa muito legal do Renato Fonseca, candidato a deputado federal, que tá aqui mostrando uma novidade para produzir lixo zero na eleiçao de 2026, que são esses santinhos ecológicos. Então, bora lá falar com ele e conhecer um pouco mais dessa ideia.


AuroraPE: Como foi que começou assim esse teu interesse nesse ativismo ecológico mais potente assim?


Renato: Eu sou juremeiro e a nossa religião, ela já adora a natureza. Então, junto com a minha assessoria, a gente começou a pensar como é que a gente poderia tá produzindo material que não agredisse a natureza, justamente porque eu sempre venho falando.


Não tem como eu dizer que sou de uma religião que adora a natureza e tá produzindo lixo e agredindo a própria natureza, que eu adoro. Acho que a conta não fecha. Então, junto com a minha assessoria, a gente conseguiu chegar nas folhinhas.


Que é justamente isso. Já tem, inclusive, um candidato que já faz esse trabalho no Ceará e, no caso, ele saiu vitorioso, que é o Gabriel Biologia, que é do PSOL também. E aí a gente aderiu, teve uma reunião com a equipe de Gabriel e trouxemos essa novidade para Pernambuco também.


Até porque a gente acha muito importante, justamente, preservar o nosso meio ambiente porque, como eu te disse, a gente adora a natureza, não tem como a gente agredir. Então, a nossa ideia é, justamente, levar a conscientização. Usar o espaço de terreiro, justamente, para conscientizar o povo.


Primeiro que o povo sofre esse racismo ambiental, que é uma palavra tão intelectualizada que as pessoas não conhecem. Acham que, simplesmente, o fato de o lixo tá ali é algo inocente. Não é. É proposital.


Porque a gente vive, meu amigo, todos os dias, sendo lembrado que a gente deve estar onde a gente deve estar. Seja acordando de madrugada pra pegar uma ficha pro posto de saúde, seja enfrentando um ônibus lotado, seja a educação que meu filho recebe. Meu filho estuda numa escola da Prefeitura do Recife.


E a gente sabe que essa educação é a educação formadora de mão de obra barata. Então, o nosso papel é, justamente, mostrar que é possível que uma pessoa de favela, uma pessoa preta, uma pessoa que já foi ex-morador de rua, possa se tornar um líder, possa se tornar uma referência, uma figura e lutar pelo poder. A gente sempre foi ensinado a receber políticas públicas.


A gente nunca foi ensinado a lutar pelo poder. Então, a nossa ideia é, justamente, conscientização do povo e mostrar que, se a gente se unir, a gente pode ir mais longe.



AuroraPE: Como as pessoas podem começar a enxergar que a sustentabilidade não está isolada, que não basta você ir ali plantar uma árvore e vai resolver.


Renato: É justamente isso. É por isso que a gente trouxe a folhinha. Isso aí já é uma revolução dentro de um ambiente político. Porque eu vejo muitos candidatos falando de meio ambiente, mas vai estar produzindo lixo, lixo esse. Porque quando a gente fala de meio ambiente e do desgaste, a gente tem que usar o Recife e a região metropolitana como exemplo porque isso atinge a gente todos os dias.


Só basta cair uma chuva de 10 minutos, 15 minutos dentro da região metropolitana que tudo alaga. Mas alaga por quê? Porque não há incentivo dos governos, das prefeituras em educar o povo. Eu acho que tudo na vida da gente passa pela base da educação.

Essa educação tem que vir desde a pré-escola até o ensino médio.


É a gente dizer que a gente tem que preservar o meio ambiente. Que não basta a gente ficar viajando, querendo procurar vida em outro planeta enquanto o nosso planeta está aqui agonizando. E aí a gente vai cortando árvore, a gente vai jogando papel no chão, a gente vai sujando rua como se não houvesse amanhã. Mas há um amanhã. Talvez não haja um amanhã para mim, para você, mas para os nossos filhos, para os nossos netos.


Então a gente não está pensando no amanhã, numa geração futura que é a nossa geração. É a nossa geração que a gente vai deixar. Então eu acho que parte tudo da ideia da conscientização, da educação. Pode ter uma certeza. Você vê muito comercial na TV do vamos manter a praia limpa. Mas você não consegue enxergar esse mesmo comercial durante o ano todo, incentivando que as pessoas joguem lixo no lixo.


Tenho certeza que tudo isso é proposital. Sempre vou falar isso. Porque quando você vai dentro de uma escola particular, a grade de ensino, ela lhe dá educação ambiental, ela lhe dá educação financeira. Aí eu te pergunto por que para os nossos filhos na escola pública não há.



É para a gente viver sempre endividado? É para a gente realmente viver dentro de um lugar insalubre, onde alaga, onde da água na parede, onde todo ano de enchente a gente perca tudo, morre gente? Então assim, não há um incentivo. Ou a gente vai achar que as pessoas que moram no morro moram porque querem? Moram porque não têm moradia digna. Então assim, eu acho que parte tudo da educação, acho que parte tudo da conscientização.


E o nosso mandato vai ser responsável por criar leis nacionais que obriguem esse incentivo dentro da escola, sabe? Que obriguem esse incentivo, que as prefeituras e os governos investam em publicidade, que incentive as pessoas a defender o meio ambiente, a economizar água, a jogar o lixo no lixo. Então a gente vai fazer um mandato verde também, um mandato voltado ao bem-estar e à proteção da natureza. Porque não é somente entregar uma folha.


Cada folha tem uma história, cada folha tem uma energia e nenhuma folha é igual a outra. Então a gente vai distribuir as nossas folhas, mas antes a gente vai olhar olho no olho. Essa eleição é a eleição do diálogo, é a eleição que a gente vai olhar no olho do eleitor e vai contar.


A gente é de favela, a gente é preto, nós sabemos quais as dificuldades, as dores, tudo o que afringe a população do menos carente. Como? Porque nós somos também, fazemos parte, Denilson, dessa situação. Mas aí um compromisso da nossa campanha é que a gente não vai de jeito nenhum causar nenhum impacto, a não ser que uma folha que vira adubo possa ocasionar qualquer impacto na natureza. Eu acho que não. Então essa é a nossa pegada. 100% verde, sem fabricar lixo e zelar pela natureza.



AuroraPE: O que podemos fazer enquanto população nessa eleição para diminuir o nosso impacto com relação às outras candidaturas que vão estar distribuindo material mais convencional?


Renato: Eu acho que primeiro é pegar o material, não jogar no chão, jogar no lixo. Claro que seja um material de um candidato que não vá com sua ideologia, que não vá com sua representatividade, ao invés de você descartar. Porque muitas vezes as pessoas que estão andando na rua pegam aquele material na educação, porque sabe o quanto é dificultoso.


Eu mesmo pego porque já entreguei papel e sei o quanto é ruim quando as pessoas passam direto e fazem de você invisível. Mas que as pessoas dêem o descarte, não só no lixo de campanha, mas qualquer lixo que esteja na sua casa. Que as pessoas saibam que quando você usa o óleo, não jogue o óleo diretamente na pia, porque aquele óleo vai contaminar várias quantidades d'água.


Descarte aquele óleo de maneira correta, materiais eletrônicos, descarte. Eu acho que se a gente fizer mais uma vez a educação, incentivar o povo certo a fazer esse descarte de maneira correta, eu acho que funciona. Economizar água, economizar energia, tudo isso parece brincadeira hoje, mas como eu te disse, para as pessoas que vêm depois, talvez vá fazer falta.



Não adianta, gente. A gente está procurando vida em outro planeta se a gente não protege o que a gente já tem. A gente tem esse aqui agora e é ele que a gente tem que proteger.

Pessoal, eu sou o Renato Fonseca, o único candidato macumbeiro nessas eleições. Vamos fazer um compromisso com você de fazer uma campanha limpa, sem produção de lixo. Meu número é 5077.


Eu sou o representante de Pernambuco na bancada da Macumba. Sou do pessoal com muito orgulho. E se você quer dar uma oportunidade a um preto, favelado, macumbeiro, ex-morador de rua, essa é a oportunidade. É só votar 5077. E aonde você ver essa folhinha, pode pegar e guardar com carinho.

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