Estados Unidos e Venezuela: as novas faces do imperialismo político e econômico
- Denilson Miatto
- há 6 horas
- 3 min de leitura
Escrito por: Denilson Miatto

Foto: Amar
Ao longo da história, o imperialismo foi frequentemente associado à ocupação territorial direta e à imposição violenta de poder sobre outros povos. No entanto, no século XXI, essa lógica não desapareceu, mas se transformou. Hoje, esse mesmo imperialismo se manifesta de formas mais sofisticadas, muitas vezes mascaradas por discursos de defesa da democracia, desenvolvimento econômico ou combate ao tráfico de drogas.
Nesse contexto, o recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela representa de maneira clara essa adaptação do imperialismo ao mundo contemporâneo, tornando indispensável observar como o poder é exercido, quem se beneficia dele e quais são os impactos reais sobre as populações envolvidas.
O que se observa atualmente pode ser caracterizado como imperialismo moderno, no qual não se depende, necessariamente, da presença de tropas estrangeiras ou da anexação formal de territórios. Ele opera por meio do controle econômico, da influência política, da pressão diplomática, das sanções internacionais e da imposição de modelos ideológicos. Trata-se de um mecanismo de dominação que, na maioria das vezes, busca preservar a aparência de soberania nacional, mas limita profundamente a capacidade de decisão dos Estados e, sobretudo, dos povos.

Foto: Vlad Alex
Nesse cenário, os Estados Unidos ocupam uma posição central, justamente por serem uma das principais potências econômicas e militares do mundo. Exercem sua hegemonia por meio de instrumentos que vão desde instituições financeiras internacionais até intervenções diretas em processos políticos de outras nações. Embora frequentemente justificadas em nome da defesa da democracia ou dos direitos humanos, essas ações costumam produzir efeitos devastadores sobre as populações civis, agravando crises sociais, econômicas e humanitárias.
A Venezuela, por deter uma das maiores reservas de petróleo do mundo e manter uma postura política historicamente contrária aos interesses norte-americanos, permaneceu por muito tempo como alvo constante de pressões e intervenções externas vindas dos EUA. O que culminou na prisão do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, revelando a verdadeira face imperialista dos Estados Unidos.
O fato é que a prisão de um chefe de Estado estrangeiro abre um precedente grave no cenário mundial, principalmente por ultrapassar os limites do direito internacional e da soberania nacional, tal ação reforça a lógica de que determinadas potências se colocam acima das regras que afirmam defender.

Foto: Thomas Parker
O chamado tarifaço e as ameaças de sanções aplicadas por Trump a diversos países em 2025, integram uma estratégia ampla de coerção política, na qual o poder econômico é utilizado como ferramenta de interferência em assuntos internos de países soberanos. Ao afetar relações comerciais, investimentos e acordos estratégicos, os Estados Unidos demonstram disposição em condicionar decisões políticas internas por meio de impactos diretos sobre a economia e a estabilidade social de outras regiões.
Diante desse cenário, torna-se imprescindível reafirmar a importância da cooperação entre os países da América Latina e da grande parte da população mundial. Ataques militares, prisões políticas com motivações geopolíticas, sanções econômicas e interferências diretas em assuntos internos de outros Estados não podem ser naturalizados nem tratados como práticas comuns das relações internacionais.
Mais do que nunca, é necessário compreender que a defesa da democracia, da soberania e da justiça social não pode ser seletiva. Combater o imperialismo político e econômico contemporâneo exige consciência crítica, organização coletiva e posicionamento firme contra práticas que violam o direito internacional e a autonomia dos Estados, impedindo que ações como essas continuem a interferir no destino de países inteiros.

Foto: João Pavese










Comentários